Avaliação formativa sob a ótica do tutor

Marcia Bitar Portella, Lidiane da Silva Sabathe, Jade Beatriz Iwasaka-Neder, Pedro Luis Iwasaka-Neder

Resumo


Objetivo: Analisar o processo de avaliação formativa do estudante de medicina, realizado pelo docente, nas sessões tutoriais, em duas Instituições de Ensino Superior. Métodos: Pesquisa quantitativa, analítica e transversal. Trinta e cinco tutores participaram da pesquisa realizada em duas Instituições de Ensino Superior. A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionário com questões objetivas. Resultados: A maioria dos tutores acredita no potencial da avaliação formativa. Julga alcançar seus objetivos (identificar as dificuldades - 91,4%; apresentar as dificuldades - 77,1%; sugerir estratégias para superação de dificuldades - 71,4%; avaliar de forma contínua e progressiva - 94,2%), contribuindo com o desenvolvimento do aluno (88,5%) e procura manter-se atualizada, participando de capacitações (97,1%) e trocando experiências com os colegas (97,1%). Consideram-se capacitados (60%) ou apenas parcialmente capacitados (40%), tendo dúvidas quanto a sua subjetividade (62,8%), imparcialidade (42,8%), coerência (40%) e quanto à efetividade do processo (22,8%). Muitos tutores (54,2%) acreditam que os alunos não compreendem/aceitam totalmente a avaliação formativa. Conclusão: A maioria dos
tutores acredita no potencial da avaliação formativa, porém, ainda há muitos desafios a serem
superados, o que os leva a nem sempre sentirem-se seguros ao dar o feedback. Esta pesquisa
contribui com a superação destes desafios, ao possibilitar uma maior compreensão dos fatores dificultadores e apontar novos rumos a serem seguidos. Pesquisas que avaliem as dificuldades dos alunos neste processo são necessárias à definição de estratégias mais abrangentes.


Palavras-chave


Educação médica. Aprendizagem baseada em problemas. Feedback formativo. Tutoria.

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